sábado, setembro 29, 2007

Summer Time - Kiri Te Kanawa ( clique para ouvir)

UM VESTIDO BRANCO NO DESERTO


Ela chegou até aquela porta em forma ovalada tendo se esgueirado pelas estreitas ruelas, abrindo passagem entre a multidão que se movimentava sem nenhuma ordem naqueles espaços apertados, divididos com as tendas dos vendedores de tapetes, cerâmica e todo tipo de produtos existentes naquela região desértica. Usava um vestido branco de tecido leve e seus olhos buscaram ansiosos o espaço ao redor, como para se certificar de alguma coisa. Enfim empurrou a porta e entrou. O interior era claro e sem nenhum conforto. Havia uma mesa lisa, cadeiras rústicas e uma cama de onde um homem ergueu-se sorrindo e estendeu-lhe as mãos. Olharam-se por um breve istante e então um beijo longo os uniu, sendo seus contornos realçados pela intensa luz vinda de uma janela ao fundo, coberta por leve cortina transparente. Haviam esperado muito por este encontro após semanas, onde foram reconhecendo um no outro o nascimento de uma paixão tão ardente quanto aquele sol que queimava o deserto. Ele levou-a para cima da cama e num gesto baixou seu vestido pelos ombros e o fez com tanta vontade que acabou rasgando o tecido. Houve um momento de hesitação em que se olharam intensamente, primeiro surpresos e em seguida totalmente envolvidos por aquele fogo que queimava a pele e que os fazia impacientes há dias em realizar aquele encontro . Terminaram de se despir, enquanto procuravam-se desesperadamente, numa urgência aumentada por dias de espera, de olhares intermináveis quando reunidos em grupo para conversar, beber vinho e em que se continham a custa de muito controle, devido à presença do marido dela e de amigos que procuravam nesses momentos ouvir sossegadamente o som da própria língua, perdidos naquela região tão exêntrica para seus hábitos ingleses. Um vaso de flores amarelas sobre a tosca mesa, veio a ser então testemunha da tempestade cujos raios fulgurantes iluminaram tudo, quando aqueles corpos finalmente nus e entregues ao prazer de se possuirem encontravam seu êxtase. E assim ficaram por longos momentos até adormecerem profundamente. As orações vindas da mesquita acordaram-nos e ela saltou apressada vendo que já anoitecia. Ele, com muito carinho, passou a mão pelos seus cabelos, beijou-os e depois as mãos brancas nas palmas, e indicou-lhe uma pequena caixa de onde retirou linha e agulha. Pegou então o vestido com todo cuidado e com agilidade inusitada foi costurando o tecido rasgado, enquanto ela esperava sorrindo, vestida com suas roupas íntimas. As flores amarelas sorriam também. A cortina leve estremecia com suave brisa que já prenunciava o frio da noite. Terminada a costura, ele desceu o vestido pelo corpo da amada, pegando em seus braços, primeiro um, depois o outro, e passando pelas aberturas com cuidado. Cada gesto revelava agora uma ternura só possível entre pessoas que vivenciaram juntos o verdadeiro encontro das almas através dos corpos. Então ela se ergueu e beijaram-se longamente. Ela ainda olhou para trás ao abrir a pequena porta, e depois sumiu no burburinho que a noite iluminara com lâmpadas espalhadas como estrelas amareladas nas trilhas do mercado. Uma imensa lua cheia olhava pensativa para baixo, na sua sabedoria de velha dama que conhece os labirintos do amor e da vida. Mas nada poderia mais apagar a intensidade que unira os amantes para sempre, pra muito além dessas trilhas passageiras...

terça-feira, setembro 25, 2007

AINDA SOBRE POSSIBILIDADES...


Estava pensando em me candidatar a uma oficina de literatura. Seria uma forma de fugir da mesmice dos meus dias e oportunidade de crescimento e renovação. Mesmo aqui na Faccat, faculdades de Taquara, existem cursos livres. Pra começar, serve. Viu só? Você já me provocou o suficiente. Eu até falei que vou começar a frequentar um certo sarau de literatura que acontece uma vez por mês aqui na cidade. Eu preciso baixar a guarda e ser menos seletiva, do contrário vou mofar para sempre nesta casa. Afinal, se os versinhos não forem muito ruins e até há um piano por lá, quem sabe eu não acabe gostando?

segunda-feira, setembro 24, 2007



MEUS DESENHOS E O TEMPO EM QUE TUDO ACONTECIA COMO MÁGICA


Eu sempre gostei mais de fazer figura humana, não te contei das japonesas que pintei numa parede daquela casa antiga, onde morei até os dezesseis anos? Ainda bem que a minha mãe achava maravilhoso tudo que os filhos faziam e deixou sem problemas. Falando nisso, lembrei da sensação ao fazer aquele trabalho, aquilo que você falou com tanta propriedade nas escriturinhas, sobre o tempo em que as coisas aconteciam como mágica. Pintar naquela parede me trouxe uma sensação de que tudo seria possível, como se, daquele momento em diante, eu tivesse adquirido um poder especial, eu me senti plena, invencível, e tinha apenas treze anos. Preciso com urgência encontrar uma parede e abrir uma trilha nesta mata fechada que eu tenho visto à minha frente. E você se mostrando interessado por meus desenhos me deu uma grande alegria, hoje realmente é um dia lindo, porque o céu está limpo, há finalmente sol, coisas pendentes e uma que já tem dez anos, estão se resolvendo, eu recebi uma amável cartinha pela manhã e vou aproveitar ao máximo essa possibilidade de me sentir em estado de graça. Que você tenha também um ótimo dia !

sábado, setembro 22, 2007



ALEGRIA CIGANA, ALEGRIA INSANA


Esta música está em sintonia com meu estado de alma, estou vibrando em alegria húngara, se me entende, alegria cigana, sou mesmo uma cigana disfarçada de mulher comum. Ai , eu me adoro assim, totalmente insana, eu estou muito feliz, feliz, por estar viva, eu estou vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa




Tá certo, eu bebi muito vinho, dei muita risada, comi pizza com a gurizada, após ter me emocionado com um filme água com açúcar. Eu sou assim, bem assim, nenhum mistério insondável, alegria à flor da pele, após um dia de danação, eu sou assim, rio e choro em sequência e não me importo com a opinião de quem quer que seja. Estou do lado de cá dessa linha que você agora inventou, uma linha de contato inodoro e insípido? Ou uma linha de choques e explosões de sentimentos que não conseguimos conter? Tá certo, eu bebi muito vinho, os meninos até me filmaram dizendo bobagens, nós nos divertimos muito, muito, e eu navego nessas águas de juventude que eles deixam inundar minhas tristezas e logo estou mais leve, estou mesmo com uma sensação de vinte anos. Você bem que podia me fazer uns versos, uns versos bem bonitos, sem aqueles urubus agourentos ou o peso de lembranças e entulhos do passado. O passado é entulho que atrapalha. A vida está começando agora, na luz daquela estrela que vi ao abrir a janela, a vida começa nas esquinas todos os dias, nos olhares esperançosos, na trilha recém aberta, na grama recém plantada no meu jardim. Um novo dia começa a cada vinte e quatro horas e não vemos como o sol surge a cada manhã por estarmos muito ocupados com nossas coisas, nossos afazeres. Eu queria somente dançar pelas ruas, gritar, dizer palavrão, ah como eu queria, sim seria tão bom , eu não bebi todo esse vinho em vão, eu o bebi sabendo ser ele meu companheiro que sempre me socorre, sempre me faz transbordar, sair pelas bordas, e me sentir viva, muito viva para amar, amar muito, amar a vida, dançar meu tango particular.
Ah, o tango, beijos à luz de velas, perfume de jasmins, um vestido branco esvoaçante , sandálias leves e cabelos perfumados de cheiros agrestes. VOcê não gostaria de dançar comigo mesmo? A vida é um sopro, logo não restará ninguém nesta sala, as plantas estarão ressecadas, o piso empoeirado e o vestido restará esquecido em um móvel qualquer. E de nós só restarão as palavras, tantas palavras escritas, tantas vibrações contidas, você não quer mesmo dançar comigo?



Hungarian Dance No 5 (clique para ouvir)



ESTA HÚNGARA DANÇA


Alegria húngara, alegria cigana,
salto no escuro, beijos ao luar,
risadas, gritos, explosões de estrelas cadentes,
beijos na mágica noite de lua cheia,
mãos trêmulas, alma à flor da pele,
quero você com alegria de cigana
dançando com seu vestido de muitos panos,
com seus cabelos sedosos e cheirando alecrim,
girando, girando muito ao som dessa música
que enlouquece, que faz vibrar ,
girando nesta húngara dança
quero você no meu abraço, quero
você no meu laço, meu homem,
quero sua ternura em versos,
quero sua bravura e seu calor,
quero você como a flor que se
oferece ao doce orvalho da madrugada
no simples ato de cumprir seu destino,
na simples bem aventurança de ser
parte do mistéiro das noites que se
perpetuam por séculos,
simplesmente, sem recados,
sem avisos, sem condições...
Ouça essa húngara dança que
se expande pelos jardins
e exalta a vida em todas as sete cores do arco-íris!
Ouça essa húngara dança, mistério e doçura
através dos séculos,
coreografia das almas enamoradas,
chama jamais extinta,
chave mestra de todas as portas,
aconchego de corpos apaixonados,
raio de sol, verdes campinas,
cobertas de flores amarelas,
quero você meu amor,
quero seu beijo cálido e fremente
ainda esta noite, ah quem dera...
nós dois nessa húngara dança
a girar pelos campos em flor
a girar, girar, girar...




sexta-feira, setembro 21, 2007

GEADA


doce verde açucarado,

cristais transparentes,

cacos de vidro, prismas,

aquarela, glíter delicado,

purpurina no vestido de fina gaze !

O MEU E A RETA


Entrei na avenida
tão comprida,
fiquei à mercê
de toda a artilharia
quem diria!
estremecendo de pavor
com as mãos cobrindo
meu derrière ali na pontaria.

Segui em frente
não sem muito medo
de sentir as balas
zunindo e os torpedos
e eu ali de bunda em riste
sofrendo mui calado e triste
o ataque deste povo azedo.

Fiquei na reta do inimigo.
Querendo disparar, não posso,
desvios não há, é só perigo...
Meu Deus vou rezar um pai nosso,
que a coisa é séria, to perdido,
lá atrás diviso o arsenal medonho
e as pistolas com seu cano erguido!
Estava eu lá bem sentadinho,
tão bem guardada a minha entrada,
"entrada não, é só saída"
isto já era, agora to perdido,
andando a esmo na avenida
e o meu na reta sem saída!

Ouço zunir do inimigo a lança,
com pontaria para mim avança,
já sinto o ardor da vossa impiedade
célere entrando pela minha intimidade.
Levarei pra mais de mil desses vis dardos
que a reta é longa
e o traseiro largo,
um belo alvo de ebúrnea cor,
lua gelada de tanto pavor!

Quem tanto fez, tal qual aquele rato
que ao moinho tanto foi e então,
ele acabou perdendo seu focinho,
e eu assim nesta batalha inglória
fico na lama sem qualquer vitória
e de lambuja perco o busanfão !

Pois vejam esta triste hitória
peleja desigual, que lástima,
por que fui eu mexer com o vosso,
que poderoso sois e eu pobre moço,
ainda imberbe, meio bobo e fraco,
quero que apenas poupem o meu saco,
que ainda hei de ter família,
não fui só eu que lhe comi a filha!

Atrás de muitos se bandeava ela,
querendo ver nossas intimidades,
dizia a todos que se casaria
com o mais dotado, tudo em segredo,
muito dinheiro seu pai com muito gosto
daria aos dois depois do anel no dedo!
Todos fugiram pra bem longe agora
só fiquei eu, me salvem nesta hora!

Por que caí nesta armadilha,
nem foi tão bom, quando ela,
meteu as mãos embaixo na braguilha,
olhou aquele pirulito armado,
fez um muxoxo e disse este coitado,
com essa cara de pastel sem carne!

ANDRÉ GONZALES

quinta-feira, setembro 20, 2007

Eu deixei ir a carta que foi "sem assunto" por descuido, ironicamente, parece. Sem assunto ,quando coloquei tanto de mim naquelas palavras. Nem sei se devia te dizer que fiz dela uma homenagem a você, lá na minha página. Mas um texto a gente apaga com um clic e está tudo limpo outra vez. Estes teus sonhos são muito bonitos, mas eu venho de muitas perdas, do passado e de pouco tempo atrás, tento sobreviver e preciso ser dura pra não despencar no precipício. Preciso abrir meu caminho com pá e picareta, imagens nada poéticas, mas muito de acordo com a biografia de uma sobrevivente. Hoje foi um dia duro pra mim. Um feriado, muita chuva, sufocante chuva. E dentro desse sumidouro, eu consegui me debater e escrever pra você, tentando te dizer de como me emociono com a tua forma de ser homem, escritor e pessoa encantadora. Você fala de coisas bem concretas, alguém com você que teria um ateliê de pintura. Ironicamente, eu nunca te falei que desenho muito bem. E eu falo em arrancar a armadura que aprisiona, fugir da idealização. Quando eu falo em perder-me quero dizer que quero livrar-me de correntes impostas por condicionamentos. Ir por aquele caminho de chão batido que logo esbarrava numa curva fechada e que aparecia nos meus sonhos como um desafio e uma promessa de liberdade quando finalmente eu seguiria por ele e descobriria o que encontrar depois daquela volta , respirando os ares mais puros. Eu sei, você já me falou sobre ter que estar inteiro pra poder viver algo com alguém. E eu nem sei o que serei ao conseguir colar todos os pedaços Da ponta de cá continuo olhando a curva do caminho, quem sabe eu não demore a descobrir o que tem logo depois daquela volta?
*** Para você, é claro, um pouco desse momento em que, estando ao largo, ainda assustada com a escuridão, o meu barco se inunda de uma luz repentina, um insgiht, um clarão de farol sobre o mar revolto dessa recém iniciada travessia.***


... Então escrevo para fazer "um simples registro " da grande emoção que tem sido ter você na minha casa virtual, e da grande transformação que se realiza em mim percorrendo as trilhas que vai abrindo à frente, com seus escritos, com suas cartas. E o que você talvez não tenha percebido ainda é que nesta aparente "fuga" de si mesmo, nesta inquietação que o leva a sentir-se sempre dividido, você está na verdade construindo uma pessoa nova, até a última centelha de vida, pois é assim que acontece àqueles que não se conformam em viver como boi carreiro, ruminando a existência, àqueles que descobrem a duras penas como ir se livrando dessa couraça de medo dentro da qual se debatem. E à medida que a vida vai virando morte, dessa armadura imposta vão arrancando os pedaços e vão se livrando dessa idéia falsa de "inteireza" que os fazia prisioneiros. Isso realmente assusta, faz a mente espernear na sua lógica comprometida com preservar o entulho acumulado por anos de ruminações de renúncias, de desencontros , mas precisamos nos livrar logo de todos os nós destas amarras e perceber que não somos aquele que pensávamos ser. Você não é mais quem foi em outros momentos. Uma obviedade que é difícil de engolir. Você dividido em dois mundos quer, na verdade, evitar o encontro com a nova pessoa que já é, e aguarda ansiosa por você. Eu luto por algo, não arredo pé de tal intento. Eu luto por entrar no labirinto sem nenhum fio para me trazer de volta. Pelo menos no plano das idéias já ficou claro pra mim que preciso me perder sem medo, claustrofobia reveladora esta minha, para encontrar todas as saídas. E já comecei a arrancar com os dentes a couraça que me tolheu os movimentos e fez da minha beleza de ser humano um ser disforme e arredio. E isso dói muito. Ah, isso dói. Mas é um caminho sem volta. Já me fiz ao largo, quem sabe o teu barco cruze com o meu... viajantes que somos nesta dobra do tempo. E em gostando de você, de um jeito ainda novo pra mim, sei que estarei aprendendo a gostar de mim mesma, uma unidade possível? E aprendendo com você a conhecer o outro, aquele ser masculino que sempre me fez recuar, eu vou reconstruindo dentro de mim a imagem de homem que eu não soube apreciar durante a vida, uma pena... Você dança comigo este momento? ...

sexta-feira, setembro 14, 2007

AGRADECIMENTO

(agradeço, mas dipsenso esmola)



Egos inflados adoram reverência. Adoram gente virando tapete pra eles pisarem . E, de preferência, tapetes com grande valor, não qualquer tapetinho reles de material sintético. De preferência um tapete de muito boa fibra, bonito, aconchegante, paciente, aquiescente. Sim, aquiescente. Esta é a palavra bonita pra significar subserviente. Mas o ego inflado que é realmente inteligente ostenta a mais deslavada simplicidade. "Imagina, quem sou eu para?" ou, "você nem olharia pra mim", ou "oh, não é preciso um grande intelecto, o que vale é o interesse em aprender..." . Nesta hora fica subentendido claramente que ele será o "professor". E aí você vai virando platéia na maior, vai virando tapete na boa, até que um dia você se toca e dá o estrilo. Se então você ameaça de se puxar da sala, aí vem aquela conversa de "mas você não me entendeu..." eu gosto de trocar idéias com você, não quero que você desista, e, afinal, não é sempre que você vai encontrar alguém que se disponha a trocar idéias, a ouvir suas histórias" Enfim o que ele não diz mas fica bem claro é que ele te fez o grande favor de te deixar paparicá-lo, de escrever pra ele incansavelmente, mesmo quando ele se mantinha ausente por dias. O que ele não diz é que adorou estar sendo mimado esse tempo todo por uma pessoa interessante , inteligente, atenciosa, paciente. E mulher. Ele só vê o grande obséquio que prestou a tua insignificante pessoa do interior, quando o ego mora numa grande cidade, já morou no exterior, tem vivências pra despejar sobre você e te deixar muda e humilde, bem do jeitinho que lhe faz gosto. Danem-se todos, eu quero minha vida de volta... agradeço, mas dispenso sua esmola...

quinta-feira, setembro 13, 2007

HUMOR


POR MADAME SATÃ






MIAUUUUUUUUUUUUUU....

Vocês lembram de mim? Eu sou o gatinho daquele retiro de velhinhos, aquele que estacionava ao lado do pobrezinho que iamorrer em seguida. Vai ver, algum herdeiro esperto me colocou lá e matou alguns entre os quais por acaso estava o seu querido progenitor . E depois inventou a história do bichano agourento, eu hein?? Mas a História está cheia de casos de matanças em lote como o fez a mãezinha do Imperador Nero, já que os outros estavam atrapalhando a passagem do seu filhinho e a imperatriz da China que mandou matar até o próprio neto, não me perguntem de qual dinastia, se Ching ou Ming, que isso pra mim é porcelana.
A última dos Sates vem na crônica de Doca Ramos dos CCC. Ela fala que eles estão testando um rato em laboratório que está com aquela doença que no Brasil só rico tem: o TOC

Não é o cúmulo do esnobismo? Enquanto por aqui se morre de doenças curáveis, de fome, eles têm um rato com TOC!!! Imaginem o roedor, cruz credo, imaginem ele evitando pisar nas linhas do piso... e ... tá bom, tá bom...



... O que importava era aquilo que nós ainda não sabíamos bem o que era e que agora não saberemos nunca mais, nunca mais...



PARA VIVER UM AMOR É PRECISO CORAGEM
Enfim tudo termina mesmo, por que ficamos sempre tão estarrecidos e desesperados quando um sonho se desfaz como neve ao sol? Ninguém nos obriga a nada, somos nós que nos atiramos mesmo com muita relutância a uma irresistível miragem impossível de ignorar? Somos nós que colocamos nossas carências ao sol, esperando serem preenchidas por brisas suaves, aromas exóticos, águas refrescantes e renovadoras. Asas ao vento, esperando alçar vôos magníficos. E voamos sim, voamos alto tendo sido agraciadas com uma brisa acolhedora e um vento encantador.
Dias de sol, dias de primavera fizeram rodopiar as folhas secas, afastaram as tristezas, descortinaram horizontes e fizeram acreditar que obstinação e zelo pudessem preservar o tênue laço, a tenra planta nascida após muita dedicação e paciência. Triste engano. Nada sobrevive à inconsistência promovida pela distância entre as pessoas. Nada sobrevive à tantas repetições de logon e logoff. Fica provado então que somos humanos demais para conseguir preservar um sentimento sem a presença física. Humanos demais. Isto pode ser traduzido como incrédulos, inseguros, impacientes, orgulhosos e fracos. Principalmente fracos. E talvez sem a convicção de nossos sentimentos suficientemente fortes para ter a coragem de virar o jogo. Duvidaram dessa minha capacidade. Mas eu creio que a teria. E tenho. Falta encontrar alguém que tenha a coragem suficiente de acreditar. E de merecer o que estou oferecendo.

terça-feira, setembro 11, 2007

Uma amostra da natureza em São Chico

video




DESPEDIDA, UM ATÉ BREVE NAS DOBRAS DO TEMPO


Vejo tuas belas mãos cruzadas sobre o peito

como pássaros recém tombados,

ainda intacta e estranhamente viva

a bela plumagem!

Tal Guevara naquela fotografia,

apenas fechados os olhos,

beleza moura de España

nas negras sobrancelhas...

Estás tão belo neste momento,

nenhuma sombra paira sobre tua imagem!

E quando te abraço pela derradeira vez,

ainda meu, em nossa cama,

tão mais junto estás

e tão mais vivo, mais resplandescente

nesta morte de todo digna, sem cortes,

sem cicatrizes.

E cresces em tal finitude

com o corpo ainda quente,

e assim pairas pra sempre em minha memória:

inteiro, exato, matéria viajante,

passageiro que não leva sequer o corpo,

pássaro errante e livre,

em recém nascida condição.






um lindo dia, após UMA NOITE A QUATRO GRAUS NEGATIVOS EM SÃO CHICO


... e voltando à cabana, dormi no quarto piso.Se olharmos pelo lado de fora e virmos aquele telhado ir afinando, não vamos acreditar que exista um quarto naquele triângulo estreito. E tem. Cabem duas camas de solteiro, ou uma de casal. E são na verdade três quartos. E durante a noite, eu me senti quase criança, naquele quartinho de brinquedo e então percebi que algo de mim que eu nem lembrava mais parece estar sendo resgatado. O corpo estava quente sob muitas cobertas, mas o rosto parecia congelar e isso me remetia mesmo à infância e a invernos perdidos na neblina do tempo, onde eu lembro de estar com mãos e nariz gelados e de um dia ganhar um acolchoado novo de meu pai, ele mesmo fora comprar num dos dois armarinhos da cidade, quando minha mãe, provavelmente, estaria muito ocupada com um novo bebê. Era revestido de um cetim com a cores diferentes em cada face. Ele vai me aquecer pra sempre, só de lembrar.
E você estava lá, mesmo sem saber, dormia em meus pensamentos, era uma lembrança de uma escrita que eu interpreto como você , mas era o que eu tinha, o que tenho e que não gostaria de perder, vai lá saber por que!


domingo, setembro 09, 2007

DOMINGO PÓS FERIADO, OU FIM DE FERIADÃO


O domingo vira algo que, pela lógica de semana de cinco dias , sugere um domingo em segunda edição, um reforço do usual dia do descanso da semana, quando temos feriado na sexta. Eu já fiz muita coisa, passei horas neste computador e o dia parece espichar-se como elástico de bodoque e eu só esperando a hora da pedra ser arremessada e poder respirar novamente, tendo a tensão estendida até o limite se desfeito com a mão soltando a pedra que vai zunindo em direção ao alvo. E até já escrevi pra você, o que não devia, mas afinal o que a gente devia ou não fazer nesta vida? Fazer e pronto. Pensar dá ruga na testa. Sofrer debilita as defesas naturais do organismo. Então, abaixo a tristeza, abaixo a preocupação, abaixo o sofrimento inútil !

sábado, setembro 08, 2007

E QUANDO A MADRUGADA VAI PELAS QUATRO...



Você tem o direito de se recolher e eu, o de esperar. Você se diz cansado, necessitando enismesmar-se com sua vida e eu me digo paciente, sempre pronta a esperar pela hora em que resolvas ressurgir de uma ausência. Para além das verdades e mentiras, estão as verdadeiras motivações de nossos atos. Bem adiante, geralmente onde nem nós conseguimos visualizar, lá para os confins da alma, redutos insondáveis e escuros, onde uma ancestralidade indecifrável regurgita seu alimento pegajoso, lá residem o princípio e o fim de todos os mistérios da alma. Que não gostamos disso, que não podemos passar por ali, que precisamos de tal certeza, lá nos perdemos em atalhos e suposições, em achares frequentes, onde o que mais aparece é uma repetição de enganos, de palavras gastas, com as quais traçamos caminhos circulares, e a vida então é sempre a mesma merda onde as perguntas parecem fazer parte de um questionário pré escrito e repetido à exaustão por gerações de seres que desembestaram nesta carreira ao sair do ventre materno empurrados por vigorosos músculos, gritando que não queriam nascer. E esta madarugada solitária carecia de muito vinho, que um descuido não cuidou de prover, e agora embriago-me de minha própria solidão, esguichante de palavras , rebrilhante de pontos fracos e idéias ruminadas como um pasto indigesto, que infelizmente não pode ser descartado sem muita mastigação bovina. Por que diabos você foi mexer com este meu caminho estático? Por que me foi descortinada esta ilusória manhã desconcertante pela qual enveredei afoitamente, esquecendo que ao anoitecer poderia estar longe e só, em terras estranhas? E eu quero achar o caminho de volta? E eu consigo viver sem este estado de constante estremecimento em que tenho me encontrado? Por certo que não! Por certo que não !

QUANDO TRÊS E QUATRO SOMAM SETE



... Olhai os lírios do campo, que não fiam nem tecem , mas nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles...

Desde os meus quase imemoriais primeiros momentos de lucidez lembro de gostar do número sete. E vale a pena lembrar que este número aparece desde tempos remotos da humanidade como um simbolismo de perfeição: 3+4= 7, o três espiritual mais o quatro matéria. O três masculino, o quatro feminino, sendo o primeiro o triângulo e o segundo o círculo, figuras que aparecem para simbolizar os dois sexos até os dias de hoje, e, conforme foi lembrado por alguém, resistem atualmente mais como figuras, tendo seu significado na história da humanidade ficado perdido em recantos pouco visíveis. O ser hermafrodita resultante da junção dos dois princípios, feminino e masculino, a perfeição buscada incessantemente? E não estaremos numa forma equivocada dessa busca, percebendo o amor como um fim pessoal e egoísta, não entendendo que ele só poderá acontecer em harmonia com todo o cosmos, quando compreendermos que para termos SETE, a soma do três e do quatro terá que acontecer em uma conjunção em compasso com o ritmo das águas, as fases da lua, a variação das marés, onde cada célula fará sua parte para o esplendor do todo, modestamente, despretensiosamente. Então apesar de toda a aceleração e aparente superfcialidade deste momento da humanidade, ainda sobrevivem em nossas entranhas,conectados a todo Universo,os imememoriais labirintos de sete caminhos. Mesmo encobertos por séculos de ruínas, três e quatro continuam à espera de se transformarem em um magnífico SETE. Mesmo estando amor e sexo banalizados em nossos dias por relações descartáveis e superficiais, tais elementos ainda sobrevivem intactos. E precisamos mergulhar fundo dentro de nós para ir removendo o entulho que impede a visão do paraíso. E precisamos compreender que nosso ser não existe desconectado do Universo, do trabalho comunitário das células, que, ao não entenderem sua função, ao desejarem uma independência egoísta, produzem a doença, tal como quando as pessoas que não entendem sua função como quem faz parte de algo maior, pensam no amor como algo pessoal, particular, um ser amado com quem esquecer o mundo, a quem possuir, não conseguirão vibrar em harmonia com o todo. Aprendamos com os índios. A humanidade adoeceu de egoísmo e medo. Então, iniciada a caminhada pra dentro de si, após muito procurar, lá descobriremos o que está escondido a sete chaves, o labirinto dos sete caminhos que têm saída. Aí nada mais será lamentado, nada poderá impedir o encontro de três e quatro, cujo movimento harmonioso com o Cosmo fará com que sejam atraídos para a mesma órbita, iluminados pelas sete cores do arco-íris. Aceitar a derrota diante dos entraves desse mundo acelerado e aparentemente sem solução, virar as costas a uma possibilidade de amar, é não saber que já estamos mortos ao nascer, que morte e vida são uma só coisa, olhada por dois lados como nos permite nossa visão dividida. Sendo assim, uma visão inteira da nossa condição nos diria tal verdade e o que ocorre é que a parte que é vida vai diminuindo à mesma proporção em que a que é morte cresce a cada dia. Sendo assim, entregar-se a um esquecimento voluntário será somente uma forma de suicídio sem morte. Mas nada impedirá que o processo vital vá em frente. E por mais que se diga desejar sumir, todos queremos ser vistos e lembrados. Mesmo o suicida dá seu último grito de socorro com o bilhete deixado, o que pode signficar também que ainda espera ser ouvido a tempo de não morrer.

terça-feira, setembro 04, 2007





COLHA SUA FLOR NESTA PRIMAVERA



Não percamos um só minuto, meu amor,
nestes instantes raros em que quase nos tocamos
diante desta tela fria, os olhos fixos nas letras
sempre à espera , e a dúvida latente que
fala de separações, viagens, fugas talvez.

Pois a primavera dos encantos logo se vai
em asas de cigarras cantadeiras no verão!
E quem colheu sua flor, viveu seu momento,
seguirá em frente tentando a sorte na nova estação.
E quem muito quis, mas não fez sua hora, ficará tão só,

e tudo que terá restado
será o frio de horas vazias,

retalhos descosturados
e uma dor funda dentro do peito sem remédio...

segunda-feira, setembro 03, 2007

PRIMAVERA A TODO VAPOR



Ontem à noite, como uma doce aparição surgiu sua foto na minha tela: conversa, li sobre ela. Eu estava muito cansada mas assim mesmo abri logo o quadro e, como sempre acontece, perco toda e qualquer criatividade, pareço um ator estreante sendo colocado no palco sem nem ter lido as falas e fico apavorada diante de você. Mas logo me refaço diante de tua querida presença, dizendo-me das águas vindo de direções opostas e misturando-se e tornando-se uma só água, dos encontros que sempre serão como o primeiro, que em qualquer fase da vida amar torna-se uma grande novidade. No espaço de tempo em que aguardo você mandar pra telinha mais uma fala, fico a pensar na interessante situação em que estamos vivendo separados por mais de mil quilômetros, mas trocando emoções, palavras, desatando amarras, e lá você vem me dizer que espera encontrar alguém com quem se tornar um só ente, um só ser em harmonia e muito encantamento. E tão rapidamente como surgiu, você me diz que precisa dormir e me deixa um longo beijoooooooooooo . Tudo está novamente quieto e percebo a linha frágil que nos une. Hoje já estou mais centrada, já te escrevi novamente... Talvez falemos ainda hoje à noite... Primavera a todo vapor!

domingo, setembro 02, 2007

NA SOLIDÃO DESTE DOMINGO EM MEU BLOG

E neste domingo nove horas da manhã, acordo com uma chuva primeiro muito forte, agressiva, e , em seguida, atenuando-se e permancecendo numa modorra de chuvisco bobo, que é salvo em sua monotonia pelo canto dos pássaros nesta primavera recém iniciando. Sinto o cheiro da natureza e meus pés descalços tentam fugir do piso frio cruzando-se e improvisando um suporte com o dedo grande do pé esquerdo. Ninguém me escreveu ainda, parece que pouca gente tem lido minhas escrevinhanças. Mas, envolvida que estou com este momento de minha vida, isso não me causa nenhum dissabor. Quem eu queria presente, permanece calado. E isso me sugere uma reflexão, mais uma, de que contatos virtuais têm essa possibilidade de ausências sem até logo, já que dificilmente teremos evidências de mentiras. O que eu passo para os outros do mim mesma, o que os outros passam pra mim e novamente redimensionado no decodificador de cada individualidade, pode criar quase uma nova pessoa, ou mais do que isso, exaltar qualidades inexistentes, criar desconfianças inúteis, enfim, somos todos eus para os outros, eus construídos com nossas palavras, com nossa benevolência pelos nossos defeitos, vontade de ser amados, admirados até. Tudo isso vai passando por minha cabeça na solidão desse Blog. Quem seremos verdadeiramente aqui e fora, onde o sol brilha e somos corpos em movimento e irradiando presenças destacadas no cenário das nossas casas, das ruas em que transitamos diariamente, dos pequenos dissabores e alegrias repentinas com som e imagem. E você que não vem, e você que tanto se resguarda. Uma geografia reticente. Uma explosão de sensibilidade e carinho seguido por um vazio sem fim. Contrastes. Que merda de vida, enfim!!!!!!!!!!!!!






AS EVAS AINDA SE DEBATEM


Até pouco tempo atrás pensei que soubesse quem eu era. Entretanto, tenho visto minha casa revirada e minhas certezas transformarem-se em grandes e cintilantes pontos de interrogação. Você e eu tateamos no escuro, como dois cegos soltos numa casa abandonada, ninguém no caminho, agluns móveis apenas, algum degrau onde escorregar. Sinto-me exatamente como algum minúsculo inseto cujas asas estão surgindo e "sabe"-se tão vulnerável, mas sente que algo muito forte o vai fazer ir em frente, esvoaçar por um espaço que lhe será oportunizado uma só vez. Cega e andando em círculos, quando você me toca de leve o rosto, e fala tão mansamente, eu quero acreditar que você é a confirmação do que há de melhor no ser humano, mas, quando, por algum movimento mais tresloucado, você toca diretamente em minha intimidade, aí algo em mim parece gritar muito forte, e me sinto tomada por medos não identificados, como se deixar tocar meu corpo seja ser marcada a ferro em brasa por alguma Flor de Liz de uma lei onde mulheres tocadas por dedos ávidos possam sofrer a perda de tudo que mais amam, possam ser relegadas ao mais sórdido recanto da aldeia, possam ser pisadas com justificativa. Ranço do pecado original, ranço do pecado contra a castidade totalmente assumido pelas Evas deste paraíso decadente? Mesmo aquelas que se dizem livres, no fundo amargam uma danação ancestral. E aquelas que se digladiam em versos obcenos são ainda mais desgraçadas, por só conseguirem seu prazer de forma assim pervertida, uma identidade de "perdidas".Talvez você saiba disso tão bem quanto eu. Talvez consiga até ver mais claro, por estar em posição de espectador neste inferno de culpa feminino. Mas eu não aceito facilmente as evidências. Preciso tirar a prova. E quando meu pensamento mais racional ri da fraqueza dos homens e sabe da fortaleza das mulheres, sabendo-os tão frágeis e com uma sexualidade tão diluída, sem evidências como a das mulheres, ainda assim meu peito se aperta sob a visão de mãos torpes me tocando, de criaturas vazias das quais eu não aceitaria tal intimidade e possíveis palavras depreciando meu caráter. Este é um inferno inculcado em nossa mente feminina, do qual enganosamente parecem estar se libertando as mulheres. Pois que agindo como predadoras sexuais, aceitando a cama de qualquer um, ou pelo menos tratando de seu corpo como um brinquedo qualquer, permitindo que o parceiro despeje sobre seu rosto suas secreções , não alcançará mais do que chafurdar em um terreno pantanoso onde nada se constrói, pois nada realmente vital e sublime foi tocado nestes exercícios de sensualidade superficial. Mas eu não aceito todas as evidências, já disse. Eu quero minha liberdade. Aquela que me foi sonegada em tenros anos, quando aprendi a me "defender" dos homens. Uma vaga ameça pairando no ar que vai crescendo e se transformando no monstro predador. E que, dividindo as mulheres em certas e erradas, terminou por dividir também os homens, fazendo com que com as suas esposas tivessem filhos e com as outras, o prazer.Eu quero de volta minha identidade de bicho mulher. Minha inocência manchada com preconceitos. Quero assumir o comando dos meus dias. E não deixar que nenhum homem me pise. E se me tocar, manter-me inteira sempre. E não ceder a nenhum invento que me vulgarize, que faça de meu corpo objeto de banalidades. Porque acho que meu corpo deve ser respeitado. E não vai aí nenhum moralismo encruado. Falo do respeito pela minha integridade, pela minha sensibilidade, pelo meu recato que nada tem de artimanha, mas é algo inerente à minha personalidade. Não faço questão de me valer de recursos sejam quais forem, além dos que a natureza me dotou. O meu maior afrodisíaco virá do meu interior, da minha capacidade de estremecimento, da química que se processa em minhas entranhas, da emoção de um olhar no meu. Mas não terei recatos ditados por preceitos ceifadores de minha natureza feminina. Serei mulher em toda a plenitude, o que não implica de forma nenhuma, em me submeter à modelos de conduta ditados por sordidez travestida de liberalidade. Não concederei a nenhum homem dispor de meu corpo para diversão barata. Porque também não buscarei o seu para este fim.Um novo paraíso talvez seja possível onde ambos, homem e mulher, estejam presentes para um encontro sem reservas, na plenitude de sua capacidade de dar e receber amor.